Vistoria do SindjudES no Foro da Serra evidencia problemas estruturais, operacionais e de pessoal

O SindjudES realizou recentemente uma vistoria detalhada no Foro da Serra e identificou diversos problemas que comprometem as condições de trabalho dos servidores e o funcionamento das secretarias inteligentes.

Durante a inspeção, foram constatadas salas inadequadas, com mesas e cadeiras que não oferecem ergonomia adequada para os servidores que passam longas horas trabalhando em frente ao computador.

O fórum é bastante extenso, e algumas salas estão abarrotadas de arquivos físicos de processos, enquanto outras carecem de remanejamento de servidores para otimizar o espaço e o funcionamento. Outro ponto crítico é a ausência de uma cantina ou sala exclusiva para os servidores. Atualmente, eles precisam se alimentar nas próprias secretarias inteligentes, utilizando pequenas mesas improvisadas com garrafas de café e água. Essa situação tem gerado desconforto e reclamações, pois o ato de fazer lanches dentro do ambiente de trabalho prejudica a concentração e o clima organizacional.

A ausência de um espaço adequado para pausas contribui significativamente para o adoecimento e a desmotivação dos servidores, que necessitam de momentos longe da tela do computador em um ambiente apropriado para um breve descanso. Durante a vistoria, foram identificadas apenas duas pequenas salas, sem janelas e sem água corrente (pia), equipadas com algumas cadeiras, mas totalmente inadequadas para refeições ou lanches, ou mesmo para que os colegas possam conversar durante o intervalo. Em suma, não há um local apropriado para as pausas e o descanso dos servidores.

Outro problema grave identificado é a falta de estacionamento reservado para os servidores efetivos, tema que tem gerado discussões internas no fórum. Foi solicitado pelos servidores que o sindicato oficie a Diretoria do Fórum para abertura de vagas rotativas entre servidores e assessores, preservando as destinadas a juízes, diretores de secretarias e autoridades. As demais vagas devem ser liberadas para que servidores ou assessores que chegarem primeiro possam estacionar, diante da insuficiência de vagas para todos. O que não pode ocorrer é um tratamento diferenciado, em que servidores que não têm onde estacionar dentro do próprio local de trabalho ficam prejudicados, enquanto vagas são destinadas a dois assessores ou até mesmo a residentes jurídicos.

Além disso, foi observada a ausência de padronização nas estruturas físicas e operacionais das secretarias, falta de atos administrativos dinâmicos e carência de uma logística eficiente para o layout dos ambientes. Elementos como papéis pendurados bloqueando janelas, fios expostos no meio dos cartórios, computadores mal posicionados sobre mesas e a mistura entre estagiários e servidores efetivos em um mesmo espaço agravam ainda mais as condições precárias de trabalho.

Para além dos problemas estruturais dentro do fórum, os servidores enfrentam desafios ainda maiores: a falta de servidores. Em várias secretarias, há uma predominância preocupante de estagiários em detrimento do número insuficiente de servidores efetivos. Essa situação sobrecarrega quem está na função permanente.

Outro ponto crítico apontado foi a instabilidade constante do sistema PJe (Processo Judicial Eletrônico). O sistema trava frequentemente e não fornece respostas adequadas. Durante a vistoria, foi possível observar advogados irritados no balcão de atendimento devido à lentidão e às falhas do sistema. Essa deficiência tecnológica compromete não apenas o atendimento presencial na parte administrativa, mas também os canais virtuais, como o balcão virtual e o atendimento via WhatsApp. Os servidores ficam sem condições reais de dar retorno aos usuários porque o sistema simplesmente não funciona corretamente.

A qualidade precária da internet no fórum agrava ainda mais essa situação crítica. O Tribunal de Justiça tem consciência desses problemas tecnológicos, mas, até o momento, não houve soluções eficazes implementadas.

A melhoria das instalações físicas e tecnológicas não é apenas uma questão estrutural, mas fundamental para preservar a saúde física e mental dos servidores do Judiciário, além de assegurar um atendimento mais eficiente à população.

Essa combinação falta de servidores, acúmulo excessivo de tarefas e ausência de um sistema que funcione adequadamente tem levado muitos servidores ao adoecimento físico e mental. É comum que grande parte das atividades só consiga ser realizada em casa pelos servidores (mesmo sabendo que isso é incorreto), mas essa não deveria ser a regra: o teletrabalho deve ser um direito avaliado com transparência pela gestão do Tribunal. Atualmente, existem centenas de pedidos de teletrabalho pendentes na mesa da presidência do Tribunal, aguardando análise para deferimento ou indeferimento.

Diante desse cenário preocupante, o sindicato está preparando um relatório detalhado com todas essas observações para encaminhar ao Tribunal, à Corregedoria e ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O objetivo é garantir que as condições sejam revistas urgentemente, proporcionando aos servidores um ambiente adequado para desempenharem suas funções com dignidade e eficiência.

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